sexta-feira, junho 02, 2006

A Versão de Judas



Fui ontem jantar a casa dos meus pais (a mana veio ao norte - algarvia duma figa!- e aproveitei para estar com ela) e encontrei lá a edição de Maio da revista National Geographic Portugal.
"A Versão de Judas - Os segredos de um papiro com 1700 anos" é o título de destaque.
Questionei a minha mãe se a revista era dela ou da mana, não me admirando por ser dela.
A minha mãe é uma pessoa de uma fé (cristã) imensa, mas que se cultiva estudando as bases da religião que pratica e não se incomodando em discutir e analisar essas bases. (disse-vos que a acompanhei durante uns tempos num curso teológico-bíblico-pastoral?)
Assim, perguntei-lhe se já tinha lido o artigo e se lhe podia "roubar" a revista para o ler também, visto que tinha assistido a um documentário na tv e queria perceber um pouco mais sobre o que tratava o dito Evangelho.
"Não me surpreendeu o que li. Sempre achei que a personagem de Judas tinha uma importância diferente daquela que é apresentada em alguns dos Evangelhos." - disse ela.
Não me surpreendi com o que ouvi.
Também eu sempre achei estranha toda a questão em torno de Judas. Afinal não veríamos (os que vêem, claro!) Cristo com a perspectiva actual se não houvesse a questão da Cruxificação e Ressuscitação.
Tivesse ele morrido de velho (perdoem-me se a expressão parece quase herege!) e, muito provavelmente, não existiria o Cristianismo.

A questão que se prende a este "novo" Evangelho que, como tantos outros (os chamados apócrifos), foi considerado herético pela Igreja primitiva, é apenas como seria o Cristianismo, a Igreja, se em vez de terem escolhido os Evangelhos de Marcos, Mateus, João e Lucas, tivessem escolhido este ou outros?
Seria um Cristianismo melhor? Haveria Cristianismo?
Se tivesse sido escolhido o Evangelho de Judas, teria havido anti-semitismo? Teria havido Holocausto? Seria o mundo em que vivemos melhor?
Nunca o saberemos!
Afinal, durante 1700 anos ninguém conheceu esta versão da história de Jesus Cristo!

Pode então colocar-se outra questão: agora que se conhece, fará alguma diferença?

5 comentários:

Lua no Deserto disse...

Olá! Aqui está um tema que me interessa bastante mas sobre o qual não tenho conhecimentos suficientes.

Quem entende o Cristianismo como algo que nos foi delegado por um Deus e que chegou até nós sem qualquer modificação está a ser demasiadoingénuo. Muitas questões de fé foram definidas por decisões políticas enquadradas na época e que hoje não têm sentido.

O papel da mulher na Igreja tem sido uma das questões mais polémicas. Não podemos exigir que, numa época e lugar (no Antigo Egipto não era assim) em que as mulheres são tidas como seres inferiores é natural que não tenham, também no seio da Igreja um lugar de paridade com os homens. Mas deixar que isso chegue até aos nossos dias é perfeitamente ESTÚPIDO (desculpem, mas não me sai mais palavra).

Beijinhos

Lua no Deserto disse...

Oops, reparei agora que o português ficou péssimo. É o que dá fazer tudo à pressa. Espero que entendam!

FFreitas disse...

Concordo plenamente contigo nessa questão da Mulher!
Quem lê os Evangelhos vê a importância que Cristo deu às mulheres, mesmo naquele tempo!!

Alma Minha disse...

Só passei para agradecer a visita e desjar um bom fim de semana.
Bjs

_+*Ælitis*+_ disse...

Querida,

Muito obrigada pela tua visita ao meu cantinho.

Adorei "parir" aquela descrição entao fico contente que dela tenhas gostado.

Es prima da piquinota, é?? fixe!

Olha, a minha mae da aulas numa pastoral biblica ( e so nisso ja senti ligacao contigo) mas nem sempre é muito flexivel das ideias. Deste-me ideia de lhe ligar hj e debater sobre o assunto (ela vive em Angola e eu em França).

Beijokas pra ti!