
Fui ontem jantar a casa dos meus pais (a mana veio ao norte - algarvia duma figa!- e aproveitei para estar com ela) e encontrei lá a edição de Maio da revista National Geographic Portugal.
"A Versão de Judas - Os segredos de um papiro com 1700 anos" é o título de destaque.
Questionei a minha mãe se a revista era dela ou da mana, não me admirando por ser dela.
A minha mãe é uma pessoa de uma fé (cristã) imensa, mas que se cultiva estudando as bases da religião que pratica e não se incomodando em discutir e analisar essas bases. (disse-vos que a acompanhei durante uns tempos num curso teológico-bíblico-pastoral?)
Assim, perguntei-lhe se já tinha lido o artigo e se lhe podia "roubar" a revista para o ler também, visto que tinha assistido a um documentário na tv e queria perceber um pouco mais sobre o que tratava o dito Evangelho.
"Não me surpreendeu o que li. Sempre achei que a personagem de Judas tinha uma importância diferente daquela que é apresentada em alguns dos Evangelhos." - disse ela.
Não me surpreendi com o que ouvi.
Também eu sempre achei estranha toda a questão em torno de Judas. Afinal não veríamos (os que vêem, claro!) Cristo com a perspectiva actual se não houvesse a questão da Cruxificação e Ressuscitação.
Tivesse ele morrido de velho (perdoem-me se a expressão parece quase herege!) e, muito provavelmente, não existiria o Cristianismo.
A questão que se prende a este "novo" Evangelho que, como tantos outros (os chamados apócrifos), foi considerado herético pela Igreja primitiva, é apenas como seria o Cristianismo, a Igreja, se em vez de terem escolhido os Evangelhos de Marcos, Mateus, João e Lucas, tivessem escolhido este ou outros?
Seria um Cristianismo melhor? Haveria Cristianismo?
Se tivesse sido escolhido o Evangelho de Judas, teria havido anti-semitismo? Teria havido Holocausto? Seria o mundo em que vivemos melhor?
Se tivesse sido escolhido o Evangelho de Judas, teria havido anti-semitismo? Teria havido Holocausto? Seria o mundo em que vivemos melhor?
Nunca o saberemos!
Afinal, durante 1700 anos ninguém conheceu esta versão da história de Jesus Cristo!
Pode então colocar-se outra questão: agora que se conhece, fará alguma diferença?
5 comentários:
Olá! Aqui está um tema que me interessa bastante mas sobre o qual não tenho conhecimentos suficientes.
Quem entende o Cristianismo como algo que nos foi delegado por um Deus e que chegou até nós sem qualquer modificação está a ser demasiadoingénuo. Muitas questões de fé foram definidas por decisões políticas enquadradas na época e que hoje não têm sentido.
O papel da mulher na Igreja tem sido uma das questões mais polémicas. Não podemos exigir que, numa época e lugar (no Antigo Egipto não era assim) em que as mulheres são tidas como seres inferiores é natural que não tenham, também no seio da Igreja um lugar de paridade com os homens. Mas deixar que isso chegue até aos nossos dias é perfeitamente ESTÚPIDO (desculpem, mas não me sai mais palavra).
Beijinhos
Oops, reparei agora que o português ficou péssimo. É o que dá fazer tudo à pressa. Espero que entendam!
Concordo plenamente contigo nessa questão da Mulher!
Quem lê os Evangelhos vê a importância que Cristo deu às mulheres, mesmo naquele tempo!!
Só passei para agradecer a visita e desjar um bom fim de semana.
Bjs
Querida,
Muito obrigada pela tua visita ao meu cantinho.
Adorei "parir" aquela descrição entao fico contente que dela tenhas gostado.
Es prima da piquinota, é?? fixe!
Olha, a minha mae da aulas numa pastoral biblica ( e so nisso ja senti ligacao contigo) mas nem sempre é muito flexivel das ideias. Deste-me ideia de lhe ligar hj e debater sobre o assunto (ela vive em Angola e eu em França).
Beijokas pra ti!
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